O que é dor?

Segundo a Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP):

“DOR: Experiência sensitiva e emocional desagradável associada ou
relacionada a lesão real ou potencial dos tecidos.”

A dor pode ser considerada como um sintoma ou manifestação de uma doença ou afecção
orgânica; pode vir a constituir um quadro clínico simples
ou mais complexo.

A DOR LOMBAR

80% da população adulta terá um episódio de dor lombar em alguma época de
sua vida, mas isso não significa que todos necessitarão de cuidados médicos.

A dor lombar é episódica e recorrente, com crises repetidas ao longo da vida, pode
gerar cronicidade, incapacidade e pode estar associada a fatores psicossociais.

Vários fatores podem contribuir para o início dos sintomas. Uma revisão de vários estudos científicos feita por Hidelbrandt descreve 55 fatores relacionados ao indivíduo e 24 fatores ocupacionais que
podem levar à dor lombar. As relações vão de fatores socioeconômicos, ocupacionais, psicológicos, biomecânicos a fatores genéticos.

CLASSIFICAÇÃO DA DOR LOMBAR

É necessário distinguir as características da dor, principalmente se ela é aguda ou crônica. Esta distinção irá guiar o fisioterapeuta para suas condutas de tratamento.

DOR AGUDA – Se manifesta transitoriamente durante um período relativamente curto, de minutos a semanas, associada a lesões em tecidos, ocasionadas por sobrecargas mecânicas, inflamação, traumatismo ou outras causas. Normalmente desaparece quando a causa é corretamente diagnosticada e o tratamento recomendado pelo especialista é seguido pelo paciente.

DOR CRÔNICA – Tem duração prolongada, que pode se estender de vários meses a vários anos e está frequentemente associada a um processo de doença crônica. Alguns autores citam que a dor crônica é a própria doença em si, mas há controvérsias. Por hora, vamos entender melhor a dor aguda.

DOR AGUDA MECÂNICA OU INFLAMATÓRIA?

Este é um dos questionamentos mais importantes quando o paciente é examinado em minuciosa avaliação. Vamos entender um pouco sobre essas dores:

A dor mecânica é causada por sobrecargas na coluna lombar. Por exemplo: ficar sentado ou em pé por muito tempo no trabalho; pegar peso de mal jeito; fazer esforço físico para qual o corpo não esteja preparado, dirigir por muitas horas, exercita-se em excesso, entre outros.

Frequentemente a dor mecânica não vem acompanhada de inflamação ,mas se ocorrer a reação inflamatória, pode ser insignificante.

Em alguns momentos ao longo do dia, a dor pode não ser percebida ou, pode tornar-se ainda mais intensa. Isso é chamado de variabilidade da dor, ou seja, a cada momento ela pode sofrer modificações de intensidade e de localização.

Essas mudanças são características da dor mecânica.

Um fato interessante da dor mecânica é que ela NÃO MELHORA COM MEDICAÇÃO. O remédio não é o tratamento adequado, pois o paciente não apresenta uma inflamação importante. Muitos pacientes relatam que “o remédio não faz efeito” ou que “tomar remédio é igual beber água” ou ainda que “o remédio faz efeito só quando eu estou tomando, depois que eu paro a dor volta pior”

Para este tipo de dor, com característica predominantemente mecânica, o tratamento adequado é a FISIOTERAPIA ESPECIALIZADA.
Dor mecânica se trata com Fisioterapia e não com medicamento.

Uma grande parte da população está cuidando de suas dores de forma equivocada por desconhecer este conceito.

Já a dor inflamatória, tem características diferentes da dor mecânica.

Você já torceu o tornozelo ou já viu alguém que torceu? Este é o exemplo da dor inflamatória. O tornozelo incha e dói, e a dor vem acompanhada de rubor, calor, edema e não existe uma posição de alívio, a dor é constante, não para.

Já em relação a coluna, a dor pode acontecer quando “travamos”as costas, em traumatismos, nas hérnias discais agudas, em doenças infecciosas da coluna, etc.
A dor inflamatória (não infecciosa) melhora em até 6 semanas. Portanto, se você tem dor há mais de 6 semanas é bem provável que ela não seja causada por inflamação, e sim por fatores mecânicos.

Dor inflamatória se trata com medicação. Parece que o remédio “tira a dor com a mão”.

Mas se o medicamento não estiver sendo capaz de realizar este efeito, sua dor pode ter características também mecânicas e necessita ser investigada por um Fisioterapeuta Especialista.

O importante é entender que não são todas as dores de coluna que melhoram com remédio. Além disso, as medicações anti-inflamatórias tem efeitos adversos que podem prejudicar a sua saúde, especialmente se ingerida por período prolongado.

Recentemente, pesquisas científicas tem demonstrado a ineficácia do paracetamol no controle da dor. Estudos demonstram que a ingestão deste medicamento não é melhor que placebo, portanto, não é eficaz contra a dor. (Saragiotto BT, Machado GC, Ferreira ML, Pinheiro MB, Abdel Shaheed C, Maher CG. Paracetamol for low back pain. Cochrane Database Syst Rev. 2016 Jun 7;(6):CD012230. doi: 10.1002/14651858. CD012230. Review. PubMed PMID: 27271789.)

“Nos Estados Unidos, mais de 16,5 mil pessoas morrem a cada ano em consequência da ingestão de drogas anti-inflamatórias, quecausam sangramento gastrointestinal – mais que o número de vítimas da aids.” M.M. Wolf et al., “Gastrointestinal Toxicity of Nonsteroidal Anti-Inflammatory Drugs”, New England Jounal of Medicine 340, nº 24 (1999): 1889.

2017-10-25T18:52:25+00:00